Pós-humano
Eu o ficava observando quando o encontrava ocasionalmente pelas ruas da cidade. Ele parecia nunca perceber. Nunca olhava para trás. Nem para os lados. Até mesmo quando atravessava uma rua qualquer. Se por ventura algum carro cruzasse seu caminho, ele parava o tempo necessário para poder seguir adiante e somente isso. Mas os caminhos estavam sempre livres para ele. Ele seguia sempre em frente, olhando apenas o que atravessava sua rota. Nada parecia poder detê-lo. A primeira vez que o avistei, ele vinha caminhando tranquilamente por uma trilha que margeava a estrada de ferro que corta a cidade. Era noite e eu vinha da igreja que eu frequentava aos domingos. Elegantemente vestido de preto e com seu sobretudo de corte impecável, suas roupas caíam com perfeição sobre seu corpo esguio. Alto e magro, sua imagem por si mesma já era algo que chamava a atenção de qualquer pessoa...